Advogado de Cadeia

Guia prático

Filhos de quem está preso

Quando o pai ou a mãe é preso, a criança não perde direitos. Ela continua tendo direito a conviver, estudar, ser cuidada e receber benefícios — e a condenação, por si só, não tira o poder familiar.

A condenação NÃO tira o poder familiar

Este é o medo mais comum, e a lei responde direto. O art. 23, §2º, do ECA (redação da Lei 12.962/2014) diz que a condenação criminal do pai ou da mãe não implica destituição do poder familiar. A única exceção é a condenação por crime doloso, punido com reclusão, cometido contra o outro titular do mesmo poder familiar (o outro genitor) ou contra o próprio filho ou descendente.

A criança tem direito de visitar, e não precisa de autorização judicial

O art. 19, §4º, do ECA garante a convivência da criança e do adolescente com a mãe ou o pai privado de liberdade, por meio de visitas periódicas, INDEPENDENTEMENTE de autorização judicial. Quem promove a visita é o responsável pela criança — ou a entidade, se ela estiver acolhida.

Mãe ou responsável por criança pequena pode responder em prisão domiciliar

O art. 318-A do Código de Processo Penal (Lei 13.769/2018) determina que a prisão preventiva de mulher gestante ou mãe/responsável por criança de até 12 anos seja substituída por prisão domiciliar. Há duas exceções: crime cometido com violência ou grave ameaça a pessoa, e crime praticado contra o próprio filho ou dependente. O art. 318, IV a VI, prevê hipóteses parecidas, e o STF decidiu no mesmo sentido no HC 143.641/SP.

Bebê e criança pequena dentro da unidade

A LEP garante estrutura mínima quando a mãe está presa. O art. 83, §2º, exige berçário para que a mãe amamente, no mínimo, até os 6 meses. O art. 89 prevê, nas penitenciárias de mulheres, seção para gestante e parturiente e creche para crianças de 6 meses a 7 anos, para os casos em que a criança fica desamparada.

Escola: a criança não pode ser tratada de forma diferente

O direito à educação é da criança e independe da situação dos pais (art. 53 do ECA). Nenhuma escola pode recusar matrícula, expor a situação da família ou tratar a criança de modo discriminatório.

Benefícios e apoio que a família pode buscar

A renda cai justamente quando as despesas sobem (transporte para visita, advogado, itens que a unidade permite levar). Vale procurar, em ordem:

O cuidado com a criança, na prática

Especialistas em primeira infância são consistentes em dois pontos: mentir sobre onde o pai ou a mãe está costuma sair pior quando a verdade aparece, e a criança precisa saber que não teve culpa nenhuma.

Aviso

Este guia é informativo e não substitui um advogado ou a Defensoria Pública, que avaliam o caso concreto. Os artigos citados são a base legal para você conferir e mostrar a quem precisar.

Isto é informação, não é consultoria jurídica. Cada caso tem detalhes que mudam o resultado. Procure um advogado ou a Defensoria Pública do seu estado — a Defensoria é gratuita.