Advogado de Cadeia

Guia prático

Tortura e violência contra o preso

Agressão a quem está sob custódia é crime — e há canais gratuitos para denunciar. O que decide o caso, porém, é a prova: exame de corpo de delito e registro na audiência de custódia.

O que a lei considera tortura

A Lei 9.455/1997 define o crime. O inciso II do art. 1º é o que costuma ocorrer no cárcere: submeter alguém sob sua guarda, poder ou autoridade a intenso sofrimento físico ou mental, como castigo pessoal ou medida preventiva.

Primeiro: garanta a prova, porque ela desaparece

Marca de agressão some em poucos dias, e sem laudo a denúncia vira palavra contra palavra. Nesta ordem:

A audiência de custódia é a hora mais importante

É a única ocasião garantida em que um juiz vê a pessoa presa em até 24 horas e pergunta diretamente sobre maus-tratos. A Resolução 213/2015 do CNJ obriga o juiz a perguntar sobre agressões, registrar em ata e encaminhar a apuração — o Protocolo II da resolução trata só disso.

Onde denunciar

Todos os canais abaixo são gratuitos. Denunciar em mais de um lugar não atrapalha — ao contrário, cria registro em órgãos diferentes.

Medo de retaliação: o que reduz o risco

É a razão mais comum para a família se calar, e o receio não é infundado. O que ajuda:

Denúncia anônima serve?

Serve para acionar a fiscalização e provocar a apuração, e é a opção de quem teme retaliação. Mas denúncia identificada, com laudo e testemunhas, é o que sustenta responsabilização criminal. Se puder, faça as duas coisas: o canal anônimo agora e a Defensoria em seguida.

Aviso

Este guia é informativo e não substitui advogado ou Defensoria Pública. Em caso de agressão em curso ou risco à vida, procure imediatamente a Defensoria, o Ministério Público ou o Disque 100.

Isto é informação, não é consultoria jurídica. Cada caso tem detalhes que mudam o resultado. Procure um advogado ou a Defensoria Pública do seu estado — a Defensoria é gratuita.